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Educação financeira das crianças

Em homenagem ao dia das crianças, preparamos um texto sobre os principais tópicos de educação financeira para crianças, começando por uma breve explicação sobre investimentos para os filhos.

Investindo em nome dos filhos

O primeiro ponto deste texto não se refere tanto à educação financeira, mas ao investimento feito em prol dos filhos sem que estes tenham participação ativa no processo. Pensando principalmente na transição da adolescência para a fase adulta, onde o filho pode começar a ter uma série de gastos de valor elevado (como faculdade ou a compra de um carro), muitos pais se preocupam em constituir uma poupança para auxiliar os filhos nessa fase da vida.

O investimento financeiro pode ser feito em qualquer produto que os pais poderiam comprar para si mesmos. É necessário, porém, que o menor de idade tenha CPF (não há idade mínima para inscrição no CPF) e que sejam apresentados o RG e o comprovante de residência. Os pais ou seus responsáveis legais serão os representantes dos menores tanto no cadastro quanto nas movimentações.

O mais comum é abrir uma conta poupança para os filhos e fazer um depósito único ou depósitos regulares. Um conselho frequente é o de comprar ações, dado o horizonte de tempo dilatado. A premissa dessa estratégia é a de que as ações terão melhor desempenho em prazo tão longo do que os produtos de renda fixa. Apesar de ser razoável esperar que isso ocorra, isso está longe de ser garantido, como apontam autores como o já falecido Paul Samuelson e Zvi Bodie. Adicionalmente, um artigo recente de Luboš Pástor e Robert Stambaugh chegou a conclusão de que as ações nos Estados Unidos são mais voláteis no longo prazo. Logo, apesar do retorno esperado ser maior, se realmente existir um prêmio por risco nas ações, a mesma precaução que o investidor tem pensando em prazos mais curtos deve ser aplicada para prazos mais longos. Ao invés de simplesmente aplicar tudo em ações para o longuíssimo prazo, recomenda-se uma alocação de ativos do mesmo modo que os pais fariam na hora de construir uma carteira de investimento para eles próprios.

Pontos importantes

Na parte da educação financeira propriamente dita, alguns pontos merecem maior atenção dos pais. O primeiro é ensinar gradualmente os filhos a se planejarem e tomar decisões. Mais cedo ou mais tarde, todos percebemos o aspecto mais importante das decisões econômicas, o fato de que os recursos são escassos. Nessa situação, é importante tomar decisões, preferindo aquilo que é mais valioso em detrimento do que é menos valioso. Assim, aprender a tomar decisões é essencial para manter uma vida financeira saudável. É importante também tentar criar adultos mais pacientes e menos consumistas desde cedo, já que isso poderá fazer diferença na maior propensão a investir em capital financeiro e humano. Paciência é uma virtude criadora de riqueza que deveria ser estimulada desde cedo. Os tópicos abaixo poderão ajudar a passar esses pontos para as crianças.

Porquinho

Além da poupança que os pais irão constituir para os filhos investindo em produtos financeiros, outra poupança poderá ser formada pelos filhos com a ajuda dos pais, podendo ser utilizado o famoso “porquinho”. Essa é uma maneira útil de ensinar aos filhos sobre como economizar por ser tangível e visível, diferente de um depósito em conta poupança ou em uma aplicação financeira, que seria virtual até para os pais não fosse o fato de eles poderem movimentar os recursos.

Cássia D’Aquino em seu Educação Financeira: Como educar seu filho dá algumas dicas sobre como realizar essa poupança. O primeiro ponto é que o lugar onde o dinheiro será depositado deve ter entrada e saída. Embora a ausência de saída estimule a manutenção das economias realizadas, será caro ao exigir a compra de um novo cofre cada vez que o antigo for quebrado. Outro fator é que a possibilidade de abrir o cofre faz com que seja possível contar as moedas, o que pais e filhos poderiam fazer juntos, fazendo com que os filhos sintam os resultados de suas economias. Posteriormente, as moedas podem ser trocadas por cédulas. Também, o objeto deve ser transparente, para que a criança possa enxergar as moedas e aumentar a noção de realidade do dinheiro. E é mais importante colocar moedas do que cédulas por conta do peso das moedas, também facilitando a percepção de valor do cofrinho.

A própria criança irá trabalhar em encher o porquinho de moedas ao poupar parte da mesada (ou semanada), talvez com os pais depositando o mesmo valor sempre que a criança o fizer. A importância maior de realizar essa poupança é ensinar a criança a poupar e um pouco de estímulo através de contribuições adicionais pode ajudar nesse sentido. Outra ideia é realizar uma caça às moedas pela casa, toda moeda perdida sendo de quem encontrar e os filhos podendo utilizar essas moedas para alimentar o cofrinho.

Semanada e Mesada

Entregar uma quantia aos filhos semanal ou mensalmente é uma maneira importante para dar educação financeira aos filhos. Exige que a criança faça seu planejamento financeiro e ensina que suas decisões financeiras possuem consequências e que o dinheiro dado pode faltar antes de vir a próxima remessa. Cássia D’Aquino recomenda que entre os seis e os dez anos seja dada uma semanada, ou seja, valores em periodicidade semanal, porque nessa etapa a criança não está ainda preparada para um planejamento mais longo. A partir dos onze anos seria mais viável o fornecimento de uma mesada para que a criança realize um planejamento para prazo maior. É importante que haja uma periodicidade muito bem definida com dia certo da semana para a nova remessa, de forma que a criança possa se planejar.

A definição do valor da semana/mesada é um desafio. Não pode ser muito baixo para que a criança não passe a depender dos “resgates” dos pais (o que certamente não é o que os responsáveis desejam incentivar) ou que deixem de gastar para não se arriscarem a faltar dinheiro. Como mencionado anteriormente, é essencial exercitar nas crianças a tomada de decisões, e uma restrição orçamentária muito grande tolhe demais a liberdade de escolha das crianças. E o valor também não pode ser muito elevado de forma que, além de exagerar nos gastos, a criança simplesmente não tome decisões, não abra mão de algo que valorize menos por algo que valorize mais.

Hábitos

Parte da educação financeira dos filhos deveria ser a de incutir pequenos hábitos e dar exemplo. Por exemplo, ajuda envolver as crianças nas operações financeiras cotidianas, como pagar uma conta no caixa, utilizar o caixa eletrônico ou fazer em família as compras no supermercado. Isso ajuda as crianças a se familiarizarem com esses aspectos da vida prática e facilita na hora em que eles precisarem fazer isso por conta própria. É importante também dar exemplo, não adiantando exigir dos filhos moderação nos gastos quando eles próprios são gastadores.

Cursos e palestras

Este texto é apenas uma introdução de alguns dos principais tópicos de educação financeira para crianças e pode ser complementado por livros, cursos e palestras. Além do livro já mencionado de Cássia D’Aquino, uma boa opção é o Família, Afeto e Finanças de Angélica Rodrigues Santos e Rogério Olegário do Carmo. Para opções de cursos e palestras, há o site de Cássia D’Aquino, o Instituto DSOP de Reinaldo Domingos e também o Dinheirama.

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Fonte da imagem: Vince Alongi em seu Flickr.

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  1. [...] an Investment Portfolio – No que se refere a educação financeira para crianças, uma criança americana investe boa parte da mesada que [...]


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