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Marcação a mercado

Marcação a mercado

Na avaliação dos ativos componentes da carteira dos fundos de investimento, existem dois métodos básicos: a marcação na curva e a marcação a mercado.

A metodologia da marcação na curva pode ser descrita de forma técnica como o registro pelo valor da aplicação acrescida dos rendimentos líquidos auferidos. Por exemplo, um título que renda 10% a.a. seria atualizado diariamente por 0,0378% ao dia útil até o seu vencimento. Já na marcação a mercado, utiliza-se o preço de negociação do título para fins de registro e, no caso de fundos, cálculo do patrimônio líquido e, consequentemente, valor da cota. Com a marcação a mercado, o valor dos títulos flutuaria de acordo com as condições de mercado, títulos de renda fixa basicamente em função das taxas de juros e ações conforme o comportamento do mercado acionário e dos ativos individualmente. A melhor abordagem para ativos de renda variável é avaliar pelo seu preço de mercado ou, em sua ausência, em uma estimativa do valor que poderia ser obtido em uma venda. Para renda fixa, a questão é mais polêmica.

No final, um título marcado a mercado ou na curva chegará ao mesmo valor no vencimento, porém, o “percurso” até o valor futuro faz grande diferença para os investidores. Em fundos de investimento que aplicam em títulos de renda fixa, variações bruscas nas taxas de juros afetam de maneira significativa o preço dos ativos, o que fará com que o valor real da cota seja superestimado ou subestimado, beneficiando ou o cotista que solicita resgate ou o que permanece no fundo. Quando há solicitação de resgates, o fundo precisa vender ativos para fazer frente aos saques, e essa venda se dará pelo preço de mercado, não pelo valor investido atualizado pelos rendimentos. Dessa forma, se o valor de mercado dos títulos for inferior ao valor nominal atualizado, o cotista que realizar o resgate será beneficiado porque venderá cotas a um valor superestimado, a situação contrária beneficiando o cotista que permanecer no fundo. Avaliar os títulos pelo seu preço de mercado para fins de cotização evita que haja uma indevida transferência de riqueza entre os cotistas e evitando a situação “cowboy”, onde quem saca primeiro tem vantagem.

Assim, a marcação a mercado é uma maneira mais equânime de avaliar os ativos. A marcação na curva mostra um valor ilusório para a possibilidade do investidor ou o fundo vir a querer se desfazer do título; exceto na situação em que os preços sejam iguais, o que se obterá é o preço de mercado vigente, e não aquele que seria obtido atualizando o preço pago pelo rendimento auferido. Marcar a mercado aumenta a transparência e faz com que se tenha uma melhor ideia da verdadeira riqueza dos investidores e sobre a situação do fundo, o que é especialmente relevante para fundos com mais risco de mercado. Um fundo de crédito privado, por exemplo, poderia sofrer elevadas desvalorizações com aumento simultâneo dos juros e do prêmio por risco exigido por títulos privados, o que seria uma grande preocupação para os cotistas. Marcando a mercado, o investidor saberá que a situação é preocupante; marcando na curva, parecerá que está tudo normal.

A Instrução CVM nº 305/99 estabeleceu que os fundos de investimento deveriam adotar a marcação na curva (“valor da aplicação, acrescido dos rendimentos líquidos auferidos”) para avaliar os títulos de renda fixa, enquanto o critério seria o valor de mercado para renda variável. Três anos depois, o Banco Central emitiria duas circulares (nº 3086/02 e nº 3096/02) estabeleceu a obrigatoriedade da marcação a mercado, que se tornou uma norma em vigor com a publicação da Instrução CVM nº 365/02. A partir de então, a marcação a mercado se tornou regra, a atual sendo a Instrução CVM nº 438/06 (e posteriores alterações) que revogou a Instrução 365. Note-se que essa norma não é válida para fundos que não sejam regulados pela Instrução 438. Por exemplo, fundos de pensão devem classificar os ativos em carteira em títulos para negociação (marcados a mercado) e títulos mantidos até o vencimento (marcados na curva) segundo a Resolução CGPC nº 04/02. Fundos exclusivos podem classificar seus ativos, exceto ações, como títulos a serem mantidos até o vencimento.

No gráfico abaixo, um exemplo real das diferenças entre a marcação a mercado e a contabilização através da atualização do valor nominal. O caso é da LTN com vencimento em 01/07/11 desde o seu lançamento em 05/07/10.

Onde MaM indica a evolução do preço marcado a mercado e MnC marcado na curva.

Apesar da taxa Selic meta ter aumentado poucos dias depois do início da série (de 10,25% para 10,75% em 22/07/10), o rendimento desse título caiu de 11,79% e, 05/07/10 para 11,02% dois meses depois, o que levou ao aumento no preço do título como se vê no gráfico acima. Se fosse um fundo de investimentos e o investidor resgatasse a cota pelo valor marcado na curva, receberia R$ 946,63, quando na verdade a cota do fundo vale R$ 947,13. Imagine que o fundo tivesse apenas duas cotas e que o investimento fosse feito em duas dessas LTNs. O investidor que solicita o resgate receberia esses R$ 946,63 e o fundo venderia o título por R$ 947,13. Considerando que o fundo não aplicasse a diferença entre o pagamento do resgate e a geração de caixa, restaria ao outro cotista R$ 1.000,50, um ganho de R$ 0,50 em relação ao que deveria se houvesse a marcação a mercado.

Uma boa leitura sobre a marcação a mercado e a mudança efetuada em 2002 é a reportagem da Valor Investe de maio deste ano.

Fontes da imagem: Matt MacGillivray e allison.hare

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COMENTÁRIOS

6 Trackbacks

  1. [...] fixa e têm pouco conhecimento do mercado financeiro. Desconhecem, por exemplo, como funciona a marcação a mercado dos títulos que compõem a carteira dos fundos de investimento. A falta de cultura financeira [...]

  2. By URL on novembro 10, 2012 at 17:56

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    [...] There you will find 81777 more Infos: apogeo.com.br/blog-apogeo/economia-e-mercado/marcacao-a-mercado/ [...]…

  3. [...] A primeira consequência da previsibilidade dos fluxos de caixa é que o preço do título implica taxa e vice-versa. E há uma relação inversa entre preço e taxa, de forma que um aumento na taxa do título resulta em uma queda no preço e vice-versa. Dessa forma, um título de renda fixa não terá uma taxa de rendimento constante em períodos anteriores ao vencimento. O investidor que compra o título de renda fixa sabe como será o valor de seu investimento no vencimento, em termos nominais (valor monetário preciso), seja em termos relativos, mas a trajetória do valor de mercado do título dependerá das taxas de mercado, supondo que haja marcação a mercado. [...]

  4. By Estrada Sinuosa - Apogeo Investimentos on março 13, 2013 at 00:03

    [...] [...]

  5. [...] ou pós-fixados em índices de preços (como as NTN-Bs) estão apresentando perdas pela marcação a mercado. Veja no blog como funciona a precificação de títulos de renda fixa e como a elevação dos [...]

  6. [...] do que o investidor está acostumado, mas em compensação não sofrerá com os solavancos da marcação a mercado e terá um rendimento com a tendência de aumentar junto com a taxa Selic. No segundo caso, há a [...]


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